Pois é... eu sou mais uma da geração à rasca! Tenho uma licenciatura em administração pública e uma pós - graduação em gestão de recursos humanos. A verdade é que não sou muito pessimista e tento acreditar que em algum dia da minha vida estes dois cursos irão servir para alguma coisa.
Faço por isso parte das estatísticas, sou mais um número entre os tantos, reparem: sou 1% no desemprego, 1% nos jovens que não conseguem o primeiro trabalho, 1% nos casamentos e filhos tardios, 1% dos jovens que estão na casa dos pais até aos 30...São muitos números, muitas contas, muita estatística!
A verdade é que eu não sou pessoa de ficar parada, até era mais fácil do que me andar a preocupar, o problema é que não faz parte da minha natureza. Dizem que é difícil encontrar emprego mas é fácil trabalhar. Eu até concordo. Tudo na vida depende de nós, da nossa vontade de ser e de vencer. Eu sei que para as gerações mais velhas é mais complicado pois têm contas para pagar, comida para pôr na mesa, filhos para sustentar, enquanto nós, os jovens só queremos dar um rumo à nossa vida. O mais difícil no trabalhar é a desvalorização daquilo que andámos a fazer durante 5 anos na universidade. É complicado para o ego admitir que afinal não vamos ser nada daquilo que ambicionámos ser. Então corremos aos modelos e pingos doces, aos mc donald´s e zaras e aceitamos qualquer trabalho e valor que nos queiram pagar.
Onde eu vivo é um pouco mais complicado. Vila pequena no alentejo, onde qualquer trabalho desses fica a 30 ou mais kms, sendo o ordenado para pagar transporte e desgaste do carro. Nas poucas mini empresas que existem das duas uma: ou conhecemos alguém muito importante ou é a empresa do nosso pai.
Terminar a faculdade e voltar para a casa dos pais é um sentimento árduo de explicar pois por um lado há o orgulho de mais uma etapa completa mas ao mesmo tempo a desilusão por perceber-mos que tudo volta ao mesmo lugar. Quando voltei achei que ia "conquistar o Mundo", encontrar emprego, juntar dinheiro para ter a minha casa e fazer a minha vida. Isto foi à 3 anos atrás e continua tudo na mesma. Agora faço unhas de gel num salão de cabeleireiro. Sim dá para ganhar o suficiente para não pedir dinheiro à minha mãe sempre que quero alguma coisa mas não, não chega para assinar a minha independência e sair de casa.
