domingo, 26 de janeiro de 2014

Empregada...no desemprego!


Pois é... eu sou mais uma da geração à rasca! Tenho uma licenciatura em administração pública e uma pós - graduação em gestão de recursos humanos. A verdade é que não sou muito pessimista e tento acreditar que em algum dia da minha vida estes dois cursos irão servir para alguma coisa. 

Faço por isso parte das estatísticas, sou mais um número entre os tantos, reparem: sou 1% no desemprego, 1% nos jovens que não conseguem o primeiro trabalho, 1% nos casamentos e filhos tardios, 1% dos jovens que estão na casa dos pais até aos 30...São muitos números, muitas contas, muita estatística! 
A verdade é que eu não sou pessoa de ficar parada, até era mais fácil do que me andar a preocupar, o problema é que não faz parte da minha natureza. Dizem que é difícil encontrar emprego mas é fácil trabalhar. Eu até concordo. Tudo na vida depende de nós, da nossa vontade de ser e de vencer. Eu sei que para as gerações mais velhas é mais complicado pois têm contas para pagar, comida para pôr na mesa, filhos para sustentar, enquanto nós, os jovens só queremos dar um rumo à nossa vida. O mais difícil no trabalhar é a desvalorização daquilo que andámos a fazer durante 5 anos na universidade. É complicado para o ego admitir que afinal não vamos ser nada daquilo que ambicionámos ser. Então corremos aos modelos e pingos doces, aos mc donald´s e zaras e aceitamos qualquer trabalho e valor que nos queiram pagar. 
Onde eu vivo é um pouco mais complicado. Vila pequena no alentejo, onde qualquer trabalho desses fica a 30 ou mais kms, sendo o ordenado para pagar transporte e desgaste do carro. Nas poucas mini empresas que existem das duas uma: ou conhecemos alguém muito importante ou é a empresa do nosso pai. 
Terminar a faculdade e voltar para a casa dos pais é um sentimento árduo de explicar pois por um lado há o orgulho de mais uma etapa completa mas ao mesmo tempo a desilusão por perceber-mos que tudo volta ao mesmo lugar. Quando voltei achei que ia "conquistar o Mundo", encontrar emprego, juntar dinheiro para ter a minha casa e fazer a minha vida. Isto foi à 3 anos atrás e continua tudo na mesma. Agora faço unhas de gel num salão de cabeleireiro. Sim dá para ganhar o suficiente para não pedir dinheiro à minha mãe sempre que quero alguma coisa mas não, não chega para assinar a minha independência e sair de casa. 
Não sei quando ou se toda esta situação se irá inverter mas de uma coisa tenho a certeza, não podemos baixar os braços nem desistir.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Como começar?

O problema é exactamente esse...como começar? A verdade é que não sei e essa foi a razão pela qual decidi começar a escrever aqui. Na maioria das vezes não sei o que dizer ou o que fazer. A minha cabeça funciona mas o meu corpo não responde. Por vezes penso, penso e penso mas não sai nada, a minha boca fecha-se e as palavras não saem. Escrever foi sempre o meu refúgio, quando escrevo tudo fica mais fácil, não há preocupações com o que os outros pensam de mim ou com o que eu digo. 
Por isso vou continuar a escrever, mas agora todos podem ver, não é que tenha qualquer tipo de ilusão de que alguém queira ler o que eu escrevo, mas antes escrevia e guardava tudo com receio de alguém lesse, agora vou fazer o contrário e perder o medo de me expressar. 
Há quem acredite em vidas passadas, eu acredito que fui uma gata. Porquê? Porque me refugio muito em mim mesma, é-me difícil confiar nos outros e adoro estar sozinha. Engane-se quem pensa que sou uma solitária sem amigos, pelo contrário, tenho praticamente os mesmos amigos que tinha há 24 anos atrás e adoro cada um deles. O problema comigo é que vivo bem sozinha, gosto de estar no meu recanto a ler, a ver televisão, a cantar que nem uma doida. Posso sair, conversar e dançar, mas sabe-me sempre bem estar em paz, sozinha comigo mesma, tal como os gatos. Eles convivem bem com as pessoas mas adoram a sua independência, a capacidade de estarem sozinhos num canto a dormir ou a brincar com um simples elástico. Eu sou assim, sou como um gato...tenho dias!